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Alcides Procopio, o pioneiro do tênis brasileiro


Por Luiz Procopio Carvalho

No dia 15 de setembro de 1916 nascia em São Paulo o pioneiro do tênis brasileiro. O homem que abriria caminho para que Maria Esther Bueno, Thomaz Koch, Luis Felipe Tavares, Luiz Mattar, Jaime Oncins, Gustavo Kuerten e Thomaz Bellucci se tornassem conhecidos mundialmente.

Filho de imigrantes italianos, Alcides Procopio iniciou sua relação de amor com o esporte na Sociedade Harmonia de Tenis ainda muito jovem. Seu pai, Domingos, arrendava o bar do clube, e Alcides, ainda pequeno e sem dinheiro para comprar uma raquete passava as tardes esperando algum membro da alta classe paulistana cansar-se para conseguir uma oportunidade de jogar. Quando não estava lapidando seu talento nas quadras do Harmonia, brincava de jogar tênis com pedaços de madeira nos fundos da sua casa na capital paulista.

Assim como tudo na sua vida, Alcides teve que lutar muito para conseguir um espaço em um esporte elitista. Apesar de todas as dificuldades, o jovem levantou sua primeira taça em 1932, quando tinha somente 16 anos, batendo Sylvio Book na final.

Jogando em uma época onde não existiam rankings, Alcides precisou de um favor da organização em 1934 para participar do seu primeiro torneio profissional, a Taça Antonio Prado Júnior. O favor foi retribuído de imediato já que Alcides não só bateu os renomados tenistas Sylvio Book, George Hardy, Emil Wadovitz, Otto Rusicka, Jorge Salomão, como também levantou a taça de campeão.

Dono de um jogo agressivo, com uma direita de fazer inveja a atuais profissionais, Alcides percorreu o mundo fazendo o que mais gostava, em um época onde chegar a Europa já era um desafio. Após conquistar o campeonato nacional da Argentina em 1938, sua carreira decolou e seu nome ganhou força no cenário mundial. No mesmo ano embarcou para a Europa onde pretendia ficar pelos próximos seis anos.

Tornou-se o primeiro brasileiro a participar de Wimbledon, alcançando a 3ª rodada. Após o feito, viajou a Suécia onde não só conheceu como jogou um torneio de duplas ao lado do Rei Gustavo. Sua saga pelo velho continente Europa foi interrompida após oito meses devido ao início da 2ª Guerra Mundial. De volta a América do Sul, Alcides foi campeão paulista, brasileiro, argentino, chileno, uruguaio, peruano, boliviano e por seis anos campeão sul-americano.



Em 1952 representou o Brasil na Copa Davis pela única vez na sua carreira, batendo a Finlândia. Encerrou sua carreira no final da década de 1950.

Porém, sua maior contribuição ao tênis ainda estava por vir. Uma vez terminada a carreira de tenista profissional, Alcides justificaria o título de pioneiro do tênis brasileiro. Também abriu a primeira empresa que construía quadras de tênis, a Procopio Construções - Pisos esportivos. Esteve à frente da Federação Paulista de Tênis por 13 mandatos consecutivos (26 anos) e, além de fundador da Confederação Brasileira de Tênis, também foi vice-presidente da entidade.

Em 1969 realizou mais um de seus maiores sonhos: criou o Banana Bowl, o mais importante torneio juvenil da América do Sul por décadas.

Montou a primeira fabrica brasileira de artigos esportivos, Alcides Procopio e Irmãos LTDA e criou o modelo Davis Cup, a raquete nacional mais popular de todos os tempos , agregou em sua fabrica a produção do tênis de mesa. Vendendo a mais tarde para o empresário Sr Rivaldo Dick que mantém até os dias de hoje produzindo vários produtos esportivos.




Seus 60 anos dedicados ao tênis é um número pouco expressivo para mensurar o que Alcides fez pelo esporte no Brasil. Durante sua vida, o simpático paulistano seguiu de perto a ascensão dos maiores tenistas brasileiros: Bueno, Koch, Tavares, Motta, Mattar e Oncins. Não fosse Alcides talvez o Brasil nunca tivesse relevado um dos maiores atletas que o Brasil pode acompanhar: Gustavo Kuerten. Nem após conquistar mais de 500 troféus e medalhas pensou em largar o esporte: jogou tênis até os 80 anos.

Alcides nunca deixou de acreditar que um dia algum membro da sua família, um neto talvez, pudesse levar mais uma vez mais o sobrenome Procopio aos principais templos de tênis do planeta. Tamanho orgulho nunca lhe foi concebido dentro das quadras, mas fora delas seus ensinamentos provaram ser valiosos: cinco dos seis membros da família trabalham com o esporte.
Fonte: Federação paulista de tênis.

 
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